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"Me deixa ser quem faz o laço da gravata do mordomo que te serve o jantar. Me deixa ser o suporte que segura a tela plana da sua sala no lugar. Me deixa usar o pé pra equilibrar aquela mesa bamba que você aposentou há mais de um mês. Me deixa ser a sua estátua de jardim, o seu cabide de casacos, só não me tira de vez da sua casa. Eu posso ser a empregada da empregada da empregada da empregada do seu tio. Me deixa ser o seu pingüim de geladeira, eu fico uma semana inteira sem mexer. Me deixa ser o passarinho do relógio que de hora em hora pode aparecer, pra eu te ver. Me deixa ser quem passa a calça que você precisa usar no seu jantar à luz de velas com alguém. Me deixa ser quem deixa vocês dois de carro em um restaurante caro. Só não deixa eu ser ninguém na sua vida."

- Clarice Falcão, Qualquer Negócio.  (via palavras-empoeiradas)

(Source: subsistir)

dawnawakened:

by Eddi Ger

Pra ela

Último dia. É que eu não sei lidar com coisas que “acabam”, você me entende?
Eu não saberei lidar com a falta que você me fará. Aquela cara de sono logo pela manhã, aquele ” booom diiia Marih”. Suas manias irritantes de estralar o pescoço e roer os dedos até quase chegar no osso. Até o jeito como você prendia o cabelo. Hoje eu chorei. E venho chorando há muito tempo. “Choro porque acho bonito”. Choro porque eu sou assim e essa é a coisa que eu melhor sei fazer na vida.
Você foi a parte mais bonita dos meus dias naquele lugar. Você foi meu sorriso e minhas lágrimas. Foi uma parte importante e, sinceramente, quero que continue sendo. Odeio despedidas, então vê se não vai embora.